O estado de São Paulo amanheceu abalado com a execução do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, na Praia Grande, litoral paulista. O crime ocorreu por volta das 18h do dia 15 de setembro de 2025, em uma ação que revela, até agora, indícios de planejamento, envolvimento de criminosos fortemente armados e possíveis conexões com organizações criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital). A seguir você confere uma investigação detalhada dos fatos apurados até agora: antecedentes do ex-delegado, cronologia do crime, linhas de investigação, consequências políticas e jurídicas, além de reflexões sobre segurança pública no Brasil.
Quem era Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral

Ruy Ferraz Fontes tinha cerca de 63 anos e carreira de mais de quatro décadas na Polícia Civil de São Paulo. Passou por cargos de grande relevância como delegado titular no Denarc (Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico), no Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e comandou o Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital). Diário do Grande ABC+3CNN Brasil+3Agência Brasil+3 Foi delegado-geral entre 2019 e 2022. Agência Brasil+3CNN Brasil+3JC+3 Depois disso, licenciou-se e, desde janeiro de 2023, exercia o cargo de secretário de Administração de Praia Grande. Jornal do Brasil+3Agência Brasil+3Agência Brasil+3 Ele era reconhecido por sua atuação contra o crime organizado, especialmente pelo enfrentamento ao PCC. Em 2006, foi responsável por indiciar toda a cúpula da facção, inclusive Marcola (Marco Willians Herbas Camacho). CNN Brasil+2JC+2
Fontes também tinha histórico de ameaças e ataques. Ele já havia sobrevivido a tentativas de emboscada em 2010, em 2012 (na Via Anchieta), em 2020, em outros casos de assalto ou tentativa de homicídio. O Dia+2CNN Brasil+2 Ele próprio manifestava preocupação com sua segurança, inclusive relatando que “os bandidos sabem onde moro”. CNN Brasil+1
Como se desenrolou o crime
O crime teve características de execução bem planejada. Fontes estava saindo de uma localidade próxima à prefeitura de Praia Grande, quando começou uma perseguição veicular. Seu carro foi alvejado, tentou fugir em alta velocidade, mas acabou colidindo com um ônibus ao entrar em uma avenida e capotou. Agência Brasil+2Diário do Grande ABC+2 Três homens armados com fuzis saíram de um veículo que o perseguia. Dois se aproximaram, dispararam contra Fontes dentro do veículo capotado, e fugiram. Diário do Grande ABC+2CNN Brasil+2 O outro criminoso aparentemente ficou no carro para dar cobertura. CNN Brasil+1 O veículo usado pelos executores foi encontrado posteriormente incendiado, possivelmente para destruir vestígios. CNN Brasil+1 Outras duas pessoas ficaram feridas, sem risco de morte. Diário do Grande ABC+1
Linhas de investigação abertas

Até agora, as apurações apontam várias possibilidades e hipóteses sendo exploradas:
- Conexão com o PCC: dado o histórico de atuação de Fontes contra essa facção, inclusive indiciamentos antigos, há forte suspeita de retaliação. JC+2CNN Brasil+2
- Motivação política ou administrativa: como secretário de Administração de Praia Grande, ele poderia estar envolvido em licitações ou decisões que afetam interesses econômicos, possivelmente de organizações criminosas. O Dia
- Ação premeditada de alta complexidade: o modo de ação — perseguição, uso de veículos roubados, evasão, uso de armamento pesado — indica planejamento. CNN Brasil+1
- Identificação de suspeitos: já há pelo menos um indivíduo identificado pela Polícia como participante da execução. Ele tem antecedentes por roubo e tráfico. Há pedido de prisão preventiva para esse suspeito. O Dia
- Força-tarefa de investigação: o governo do Estado determinou ação integrada entre Polícia Civil, Polícia Militar e o Ministério Público (incluindo o GAECO) para apurar o caso. Agência Brasil+2Diário do Grande ABC+2
Impactos e repercussões
A morte de Fontes provocou comoção pública e estímulo a debates sobre segurança pública, estrutura policial e proteção aos agentes que atuam no combate ao crime organizado.
Autoridades políticas, sindicatos de policiais civis e instituições de segurança criticaram lacunas no aparato de segurança pública, cobrando respeito, valorização, melhores recursos e condições para que delegados e investigadores possam cumprir suas funções sem correr risco de vida. VEJA+1 A ideia de que o crime evidencia falhas do governo estadual na proteção de agentes que combatem o crime tem sido levantada com frequência. VEJA
A sociedade acompanhou o velório de Fontes, que ocorreu na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com presença de autoridades, familiares e grande cobertura da mídia. Agência Brasil+1
Desafios para a investigação
Alguns obstáculos que devem ser superados para esclarecer integralmente o crime:
- Motivo ainda não confirmado: embora as suspeitas existam, ainda não há confirmação oficial se foi retaliação do PCC ou litigiosidade administrativa.
- Provas e inteligência: dependem de imagens de câmeras de segurança, perícia nos veículos, exame médico-legal e trabalho de inteligência. Se o veículo rastreado foi incendiado, pode haver perda de vestígios.
- Segurança de testemunhas: num crime de repercussão alta, garantir proteção aos envolvidos pode ser complicado.
- Pressão política e social: necessidade de respostas rápidas, o que pode comprometer apuração rigorosa caso haja atropelos processuais.
Reflexões sobre segurança pública e a proteção de agentes
Este episódio expõe fragilidades históricas no sistema de segurança público brasileiro:
- A exposição de agentes que enfrentam organizações criminosas sem medidas permanentes adequadas de proteção.
- A importância de inteligência policial integrada, rastreio de ameaças e prevenção. Fontes manifestava preocupação pessoal sobre sua segurança antes do crime. CNN Brasil+1
- Investimento em infraestrutura policial, tecnologia e pessoal como forma de reduzir vulnerabilidades.
- O papel do Estado não apenas repressivo, mas também de garantia de que servidores públicos, especialmente aqueles mais visados por ações criminosas, tenham respaldo institucional (legislação, segurança, apoio psicológico, equipamentos, etc.).
Conclusão
A execução de Ruy Ferraz Fontes representa uma das ações mais graves atentados ao sistema de segurança pública de São Paulo em muito tempo. Reúne elementos de crime organizado, aparente retaliação institucional, falhas de proteção e uma brutalidade que ultrapassa o caso individual: é um alerta sobre o quão frágil pode ser quem dedica a vida ao combate ao crime quando não há aparato institucional robusto. Resta ao Estado garantir que as investigações sejam céleres, transparentes e eficazes; que os responsáveis sejam punidos; e que políticas estruturais sejam revistas para evitar que tragédias como esta se repitam.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Por que Ruy Ferraz Fontes poderia ter sido alvo do PCC?
Por sua trajetória de atuação intensa no combate ao crime organizado, Fontes foi quem indiciou a cúpula do PCC em 2006, liderada por figuras como Marcola, e dirigiu investigações em unidades como DHPP, Denarc e Deic. Essas ações históricas criaram inimizades. CNN Brasil+1
Há suspeitas sobre falha de segurança ou descuido por parte do Estado?
Sim. Fontes próprio já havia expressado preocupação com sua segurança; recebeu ameaças e sobreviveu a emboscadas anteriores. O episódio reforça críticas de entidades policiais de que agentes de alto risco não têm proteção suficiente. CNN Brasil+2O Dia+2
Quais consequências legais se espera desse crime?
Foi estabelecida uma força-tarefa que integra Polícia Civil, Polícia Militar, Ministério Público e GAECO para investigar. Há pedidos de prisão preventiva, identificação de suspeitos, coleta de provas forenses, análise de perícias e imagens. Espera-se que caso haja condenações, haja responsabilização criminal dos envolvidos, mas também questionamentos sobre políticas de segurança. O Dia+2Diário do Grande ABC+2


