Global AI Summit discute os impactos sociais e econômicos da inteligência artificial

TECNOLOGÍAS

O Global AI Summit, realizado em 24 de setembro de 2025, reuniu líderes globais, pesquisadores, representantes institucionais e profissionais do setor tecnológico para debater os desafios e oportunidades que a inteligência artificial (IA) coloca para o mundo. The Washington Post+1 Durante o evento, foram discutidos temas como ética, desigualdade, emprego, inovação e governança — elementos fundamentais para construir um futuro em que a IA beneficie a sociedade como um todo.

Um dos pontos centrais apresentados foi a estimativa do FMI de que cerca de 60% dos empregos em economias avançadas podem ser afetados pela adoção ampla da IA, enquanto nos países em desenvolvimento esse índice pode chegar a 40%. IMF+2CEF+2 Essa análise destaca que muitas ocupações tradicionais e circunstâncias laborais estão vulneráveis — e que metade desses empregos poderá sofrer redução ou transformação significativa, enquanto a outra metade poderá ter ganhos de produtividade. IMF+2CEF+2

Além disso, a conversa no evento mostrou que, para países emergentes, há uma ameaça adicional: embora a exposição da força de trabalho à IA seja menor, faltam infraestruturas, investimentos e políticas robustas para capturar os benefícios da tecnologia, o que pode aprofundar desigualdades entre nações. IMF+2CEF+2

Desigualdade, ética e governança: dilemas urgentes

Durante o Summit, ficou claro que a IA não é apenas uma inovação tecnológica: ela reflete valores, poder, decisões e prioridades humanas. Um dos debates mais acalorados foi sobre ética e accountability: como assegurar que algoritmos não reproduzam vieses, práticas discriminatórias ou concentração tecnológica extrema? Como garantir transparência e responsabilidade quando sistemas de IA tomam decisões sensíveis?

Outro aspecto destacado foi o risco de aprofundamento da desigualdade. Se empresas com grande capital tecnológico dominarem a IA, poderão tirar vantagem desproporcional, ampliando a lacuna entre os que têm acesso aos recursos e os que não têm. Essa preocupação foi levantada em eventos globais recentes, como o AI Action Summit de Paris, onde se alertou que a IA pode tornar-se um “motor de desigualdade” sem regulamentação justa. Wikipedia+3The Guardian+3Wikipedia+3

Ainda em Paris, foi aprovada uma declaração de princípios para uma IA inclusiva e sustentável, assinada por dezenas de países (mas não pelos EUA e Reino Unido). Entre os pontos defendidos, estavam transparência, cooperação internacional, mitigação da concentração tecnológica e uso ético da IA. Wikipedia+2Wikipedia+2

Outro destaque global é a cúpula AI for Good, organizada pela União Internacional de Telecomunicações (ITU) e instituições parceiras, que enfatiza o uso da IA para promover saúde, educação, segurança climática e outros objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS). AI for Good+1

Transformações no emprego e no trabalho humano

As intervenções no Summit destacaram que a IA transformará o mundo do trabalho de maneiras profundas. Segundo análise do FMI, cerca de 40% dos empregos globais já estão “expostos” a intervenções de IA — isto é, parte das tarefas que os humanos realizam pode ser automatizada. IMF+2IMF+2

Essa transição é desigual: tarefas rotineiras e administrativas tendem a ser mais substituíveis, enquanto aquelas que exigem criatividade, empatia, coordenação social, julgamento e valores humanos têm mais resiliência ou co-complementaridade com a IA. IMF+2IMF+2

Em economias avançadas, há mais empregos com habilidades cognitivas que podem ser transformadas ou complementadas pela IA, o que gera um risco maior de deslocamento, mas também de ganhos econômicos se adequadamente gerido. IMF+2IMF+2

Nos países emergentes, o desafio pode ser ainda mais cruel: se eles não conseguirem acompanhar a curva de adoção tecnológica, poderão ficar presos a cadeias de baixo valor agregado e terem menor capacidade de capturar os lucros da IA.

Inovação, produtividade e crescimento: onde cabe a política pública

Apesar dos riscos, o Summit enfatizou que a IA traz oportunidades gigantescas de progresso econômico, social e tecnológico. Em análises recentes, tem-se revelado que o aumento da produtividade provocado pela IA pode gerar crescimento do PIB, geração de novos mercados, modelos de negócio disruptivos e soluções inovadoras para problemas globais. arXiv+2arXiv+2

Mas para que isso aconteça de forma justa e sustentada, os países precisam de políticas sólidas de qualificação profissional, infraestrutura digital, regulação responsável, investimento em pesquisa e desenvolvimento e mecanismos que distribuam os ganhos da IA.

Por exemplo, nos documentos do FMI sobre IA e trabalho, destaca-se a necessidade de programas de requalificação (reskilling), proteção social adaptada e redes de segurança para aqueles mais afetados pela automação. IMF+2CEF+2

Além disso, há propostas recentes de tratados internacionais que limitem a corrida por capacidade de computação descontrolada (global compute cap) para controlar riscos de superinteligência ou uso indevido da IA. arXiv

Brasil e o papel da América Latina

Embora o Summit tenha foco global, as lições para o Brasil e a América Latina são urgentes. No Brasil, o desafio está em estimular o ecossistema de IA, ampliar o acesso à infraestrutura tecnológica (como dados e conectividade), fortalecer universidades e centros de P&D, bem como promover parcerias internacionais e regionais.

Para a região latino-americana, é fundamental pensar em políticas de cooperação regional, projetos de IA adaptados às realidades locais (como agricultura tropical, diversidade linguística, cidades médias) e regulação que proteja direitos, privacidade e equidade.

Ademais, a adoção da IA nos serviços públicos pode trazer ganhos importantes em saúde, educação, transporte e segurança, mas requer governança, transparência e controle social.

Conclusão: limites, escolhas e caminhos possíveis

O Global AI Summit 2025 desempenhou um papel crítico ao chamar atenção para que a IA não seja apenas uma corrida tecnológica, mas um projeto social, político e ético. As escolhas que fazemos agora — em regulação, investimento e inclusão — determinarão quem ganha e quem perde nessa nova era.

Para garantir que a IA beneficie toda a sociedade, os países precisam agir com visão estratégica, pensar em redistribuição, desenvolver mecanismos de governança globais e construir alianças entre governo, academia, setor privado e sociedade civil.

FAQ – Perguntas Frequentes

1. Quais empregos são mais vulneráveis à IA?
Empregos que envolvem tarefas repetitivas, rotineiras, processamento de dados ou operações administrativas tendem a ser mais vulneráveis. Isso inclui funções de escritório, digitação, contabilidade simples, atendimento básico e algumas tarefas de transporte.

2. A IA vai destruir empregos ou criar novos?
A IA não atua apenas como destruidora de empregos: ela pode automatizar tarefas, mas também criar novas funções, ampliar produtividade e abrir mercados inéditos. O que determina se haverá mais destruição ou criação é o equilíbrio entre inovação, políticas públicas e capacidade de adaptação da força de trabalho.

3. O que os governos podem fazer para mitigar os riscos da IA?
Entre as medidas eficazes estão: investir em requalificação profissional (reskilling/upskilling), criar redes de proteção social adaptadas ao novo contexto, regulamentar o uso da IA para garantir transparência, privacidade e segurança, estimular pesquisa e infraestrutura tecnológica e fomentar cooperação internacional na governança da IA.

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