A influência do consumo excessivo de telas na memória e atenção — como melhorar seu desempenho cognitivo

SAÚDE

Você já se sentiu com dificuldade de concentração, esquecido de tarefas simples ou com o raciocínio aparentemente mais lento? Esses são sinais de um fenômeno cada vez mais comum: a sobrecarga cognitiva causada pelo consumo excessivo de telas e estímulos digitais. O “excesso de informação” — também conhecido como fadiga informativa — danifica nossa atenção, esgota nossa memória e reduz nossa produtividade e bem-estar. Especialistas como o neurologista Dr. Leandro Telles, em entrevista ao podcast DrauzioCast, explicam que a memória funciona como um circuito complexo que exige atenção, vivência rica e processamento adequado para consolidar lembranças com eficácia. Em um mundo repleto de notificações, mensagens e conteúdos rápidos, nosso cérebro fica difícil distinguir o que é essencial, saturando os mecanismos de triagem cerebral (fonte Drauzio Varella).

O impacto do excesso de telas na memória

Esse fenômeno não é apenas um desconforto ocasional, mas representa um desafio real para a saúde mental e desempenho diário. As redes sociais, por exemplo, estimulam reações rápidas — um “curtir”, um comentário, um vídeo curto — que criam uma falsa sensação de envolvimento e urgência constante, mantendo nosso cérebro em estado de alerta contínuo e prejudicando a consolidação de memórias profundas. O resultado? Uma informação passa, mas não fica — e pior: as distrações se acumulam (fonte Drauzio Varella).

Fadiga cognitiva: como ela compromete sua atenção

A fadiga cognitiva causada pela sobrecarga afeta mais que a memória: prejudica o sono, aumenta a irritabilidade, eleva o risco de ansiedade e burnout, e compromete a capacidade de aprender e reter informações novas com eficiência. Essa pressão constante sobre nossa atenção pode levar ao que o psicólogo britânico David Lewis chamou de “síndrome da fadiga informativa”, termo que encontra eco nas explicações do Dr. Telles sobre o esgotamento dos recursos cognitivos (fonte Drauzio Varella).

Estratégias para recuperar a memória e a atenção

Mas há luz no fim do túnel: o cérebro humano continua capaz de encantar-se, reter e aprender — desde que receba estímulos bem calibrados. O segredo está em desacelerar, escolher bem os estímulos e respeitar os processos naturais de atenção e consolidação. O neurologista recomenda estratégias como desativar notificações, praticar multitarefa com cautela, investir em descanso e sono de qualidade, e oferecer ao cérebro pistas afetivas que sinalizem que a informação é relevante o suficiente para ser lembrada (fonte Drauzio Varella).

Hábitos que fortalecem o cérebro no dia a dia

Entre as recomendações práticas, o especialista destaca: priorizar vivências mais profundas e concentradas, cultivar o hábito da leitura ativa, criar caminhos de revisão no cérebro (como revisitar o conteúdo em momentos diferentes), e manter uma vida social e mentalmente ativa — com atividades físicas, agradável convivência e boa alimentação — para reduzir em até 50 % o risco de deterioração cognitiva no futuro (fonte Drauzio Varella).

Conclusão: é possível treinar o cérebro

Esse artigo mostra que, embora a era digital imponha desafios reais à memória e atenção, é possível reconstruir nossa capacidade cognitiva com hábitos saudáveis e intencionais — e, com isso, melhorar nosso desempenho, memória e qualidade de vida. O equilíbrio entre tecnologia e descanso é o segredo para um cérebro mais saudável e produtivo.


FAQ

1. O que é fadiga informativa e como ela afeta meu cérebro?
A fadiga informativa é o estado de esgotamento mental causado por excesso de dados e estímulos. O cérebro, ao enfrentar uma enxurrada de notificações, notícias e conteúdos, perde sua capacidade de selecionar o que realmente importa, esgotando recursos cognitivos básicos como atenção, foco e retenção de memória (fonte Drauzio Varella).

2. Como o consumo excessivo de telas prejudica a memória?
O bombardeio constante de estímulos digitais leva à dispersão da atenção e impede que o cérebro passe por todas as etapas necessárias para consolidar memórias — vivência, atenção concentrada, repetição e significado emocional. Isso faz com que as informações não sejam bem gravadas e se extraviem facilmente.

3. Quais são os sinais de sobrecarga cognitiva?
Dificuldade para focar, distrações frequentes, lapsos de memória (como esquecer o celular, carteira), sono ruim, irritabilidade, ansiedade e sensação de esgotamento mental são todos indicativos de sobrecarga cognitiva e perda de eficiência mental.

4. Como posso treinar minha memória no dia a dia?
Pratique a plena atenção: esteja presente ao realizar tarefas simples, como conversar ou comer, desligue aparelhos e concentre-se. Use leitura como ferramenta de estimulação cognitiva ativa. Repita e recrie estímulos: rever algo no dia seguinte ajuda a grudar a memória. E sobretudo, priorize o descanso e o sono, que fundamentam a consolidação de memórias.

5. Quais hábitos ajudam a preservar a saúde mental e cognitiva?
Manter vida social ativa, praticar atividade física e cuidar da saúde (controle de peso, doenças crônicas), manter estímulo intelectual, alimentação saudável e evitar substâncias prejudiciais são fundamentais. Esses hábitos juntos podem reduzir significativamente o risco de deterioração cognitiva ao longo do tempo.

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